Novos modelos de negócio para transmissões de basquete e vôlei

06.11.2018

Ímãs de fãs e bons negócios: de volta à TV e com novo espaço no Facebook, os vídeos ao vivo trazem clássicos com destaque às telas

 

 

O ano de 2018 já pode entrar para a história do basquete feminino brasileiro. Após 20 anos, a modalidade voltou a um canal aberto de televisão, em janeiro, com a transmissão ao vivo pela TV Gazeta do duelo entre Campinas e Ituano. O jogo da Liga de Basquete Feminino (LBF) representou, também, outro marco: pela primeira vez, uma partida inteira foi transmitida ao vivo pela TV com a tecnologia LiveU – sem a necessidade de sinais de micro-ondas ou satélite.

 

Para a Gazeta, o basquete feminino tem um significado especial: foi transmitindo o campeonato mundial do esporte, em 1971, que a emissora liderou pela primeira vez a audiência em São Paulo, batendo a Globo por 51 pontos a 13 no Ibope. Se por um lado a nova parceria faz com que a Gazeta olhe para trás, por outro ela abre portas para o futuro. “Estamos contentes e otimistas com a parceria, pois temos tradição no segmento esportivo e, com isso, ampliaremos a nossa oferta nesse pilar”, explica Marinês Rodrigues, superintendente de programação da emissora.

 

 

A parceria com a LBF e a Everstream foi viabilizada, principalmente, por causa do baixo investimento envolvido nesse tipo de transmissão. Também por isso, a LBF consegue disponibilizar ao vivo, em sua página no Facebook, todos os jogos que ficam de fora da cobertura da TV. Para Fernando Maroni, diretor da ESM, empresa de marketing esportivo que faz a gestão da LBF, esse tipo de cobertura é fundamental para o desenvolvimento de todos os tipos de modalidade: “É muito importante, para o basquete e para qualquer outro esporte, estar presente no maior número possível de canais. Nesta temporada, 100% dos jogos da Liga serão transmitidos ao vivo em nossa plataforma na internet”. Molina destaca, também, os resultados positivos dessa cobertura nas redes sociais: “Temos aumentado nossa base de fãs consideravelmente, e cresceu bastante o envolvimento com nosso conteúdo. Os subprodutos das transmissões, como melhores momentos ou jogada da semana, geram muito engajamento”.

 

Também é por causa dos novos fãs – e da possibilidade de atrair novos anunciantes – que a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) entrou na onda dos jogos ao vivo na internet. “Começamos em 2012 com o vôlei de praia em nosso site. Montávamos uma estrutura cara, que só era viável porque ficava ali por três dias, durante toda a etapa”, diz Roberto Falcão, então gerente de comunicação da CBV. A transição da areia para a quadra só aconteceu na temporada 2016/2017 da Superliga Feminina, com o modelo mais econômico de transmissão. “O custo ficou viável. Com isso, começamos a transmitir pelo Facebook todos os jogos que não passavam na TV aberta”, diz.

 

 

Considerado na época o canal mais importante para a CBV, o Facebook deu excelente retorno durante a temporada: média de 6 mil espectadores simultâneos e 2 mil novos fãs a cada transmissão. Para a temporada 2017/2018, a estratégia já evoluiu: no começo de março, a CBV transmitiu pela primeira vez uma partida pelo seu Canal Vôlei Brasil. O caminho, agora, é aproveitar a visibilidade das superligas masculina e feminina para monetizar o site da confederação, onde o novo canal está hospedado.

 

Se o vôlei e o basquete já têm planos traçados, outros esportes que não envolvem direitos de transmissão representam um campo enorme de oportunidades. “Trabalhei com esse sistema nos Jogos Pan-Americanos de 2011, no México, quando estava no portal Terra. Transmitimos judô, squash, hóquei. É surpreendente o engajamento que essas transmissões provocam”, revela Marcelo do Ó, narrador das rádios Globo e CBN, da Rede TV e agora do Canal Vôlei Brasil. Em 2017, Marcelo narrou ao vivo, pelo Facebook da Confederação Brasileira de Handebol, a final do Campeonato Brasileiro feminino juvenil – live que teve mais de 6 mil comentários e 40 mil visualizações.

 

 

Para Roberto Falcão, as federações precisam encontrar o caminho para aproveitar esse novo modelo. “As transmissões ao vivo proporcionam ótimas oportunidades para a captação de recursos através da fidelização”. Ele cita o exemplo da CBV: “Queremos ter nosso público por perto, conhecê-lo melhor. Ele é que vai comprar as camisas da Asics, abrir conta no Banco do Brasil, consumir Gatorade. Meus patrocinadores poderão ter retorno a partir do conhecimento desse meu fã – que chega até mim cada vez mais por meio dessas transmissões”.

 

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